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Movimento Panamby

Recentemente recebi um comentário perguntando pelo movimento e depois de tantas tentativas de fazer algo com o blog do panamby, cheguei a –  não definitiva – conclusão junto com a Taly, o Vitor e o João, que num faz mais sentido. E que coisas novas virão. O Panamby foi um movimento muito bonito, um voo de borboletas e como todo movimento e como tudo aquilo que se pretende transitório, livre, leve … se renova sempre.

A todos aqueles que participaram, contribuíram e voaram junto conosco, os sinceros agradecimentos! Todo conteúdo do site foi tranferido para:  http://historiapanamby.wordpress.com/

Inté!!

Ps: Se precisarem de informações sobre os assuntos abordados no blog, enviem email para: culturaparabolica@gmail.com ou anny.tiemi@gmail.com

responderei com o maior prazer! Flavianny Tiemi

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Seja um grileiro!

Uma fraqueza

por João Pede Feijão

Admiro com pesar os homens secundários. Chamo homens secundários aqueles que, como pássaros mães, mastigam pedras duríssimas e regurgitam gordurosa papa na boca de leitores debutantes. Conhecidos como críticos, comentadores, repetidores, todos esses leitores que dilatam os limites das grandes marteladas, chegando a fraqueza ultima da reverberação até que o silêncio arremate o estrago. Essa gente entreviu como Moisés por uma fresta a perigosa figura de deus, o perigoso caos, mas por covardia, ou por amor a sei lá, ou porque simplesmente é impossível justificar nossas escolhas, resolveram dedicar sua vida em costurar telas de proteção, inventar vacinas, antidepressivos… esses homens, eu admiro. Não consigo chegar em público e desqualificar essa casta de semi-desesperados. É como se dependêssemos deles para nos aproximar com cautela de gente perigosa como Nietzsche, Irigarai, Mozart, Tarcoviski, Rimbaud. Como se fossem minha garantia de retorno, minha coleção de Ariadnes enganadas. Tenho a impressão que o presente nos cunhou com excessiva covardia, de modo que me parece cada vez mais difícil ver surgir homens plenos de si; os que morrem muitas vezes. “Eu serei sempre o que não nasceu para isso”. O que isso faz de mim? Uma longínqua sombra, um conjunto de sensibilidades atrofiadas, um dependente e mais incompetente desesperado. Mas eu posso aprender, posso me tornar um legítimo repetidor, com publicações consideradas. Posso mergulhar na vida dos habitantes medievais e descrever os cheiros de vilarejos que jamais vi e verei, mas sou covarde demais pra respirar profundamente o odor dos córregos cadáveres da minha cidade, para encontrar ai razão verdadeira de desespero. Os barulhos, as expressões comuns são cada vez mais misteriosas enquanto mergulho em epopéias narradas por homens que morreram no fundo, no cerne dos abismos de seus tempos. Aprender nas estruturas, nas hierarquias primatas de nosso tempo nos transforma em nostálgicos e insensíveis, autômatos enciclopédicos, lamuriosos cagões. “a ciência serve para nos fazer trabalhar menos e comer mais”. “onde há gente há merda”. “nesta universidade não faltam banheiros”.

Em minha memória um quintal arde a merda, o cheiro mais indescritível que já senti. Adocicado, cítrico, amargo e travoso. E uma sinfonia de moscas agora se levanta enquanto um cão magro passa. Ah meus delírios. Minhas vergonhas. Minhas fraquezas.

por João Alves Batista dos Santos

O que se fala por aí é o seguinte: “Ah, aqueles meninos estavam bêbados, estavam molestando velhinhas”. Havíamos saído de um bar no Boa esperança e estávamos naquele local aguardando, próximo ao ponto, o ônibus. Supondo que as imediações da universidade era um lugar seguro para ficar. Havíamos bebido e estávamos na rua de madrugada. Até onde me consta nenhuma destas coisas caracterizam crime. E nenhuma destas coisas caracterizam nenhuma novidade. Salvo raras exceções , acredito que maioria das pessoas que conheço já fizeram isso. Este tipo de abordagem tira de foco o que nos recusamos a ver. Nossa sociedade está imersa na violência e o discurso mesmo da violência nos levam a aceitar instrumentos que geram mais e mais violência. O que está em questão é um pensamento elitista e condominista que insiste em negar que a universidade é uma instituição publica e que os direitos de ir, vir e viver estão sendo violados, porque dondocas entupidas de remédio, estão mais preocupadas em proteger os aparelhos de som dos seus carros e a maquiagem de suas bolsas. A universidade é um espaço cada vez mais tenso, claro que pra quem enxerga, pra quem tem cor de suspeito, pra quem se veste como vagabundo. Enquanto justificamos nossa truculência ignorante com discursos pacificadores, o mal social nos devora de dentro e por dentro.

A reitora desta universidade é EDUCADORA e a representante legitima de um modelo educacional que ainda usa a palmatória e o autoritarismo. Nesta universidade está em curso um projeto que pretende instalar catracas eletrônicas nas entradas e nos blocos, a colocação de mais câmeras, o aumento do numero de seguranças armados. Para que tantos equipamentos se já sabemos para onde eles estão apontados? Hoje pela manhã vi dois suspeitos sendo abordados pela policia, próximo ao restaurante universitário. As características dos suspeitos? Negros. Se dentro de uma instituição de ensino superior não conseguimos discutir os valores exercidos pelos instrumentos de segurança, não conseguiremos discutir isso em nenhuma parte e casos desse tipo ainda serão justificados com discursos cretinos baseados numa moral de senhoras frustradas.

Em 2007 furtaram a ilha de edição do laboratório do departamento de comunicação. Não havia nenhum sinal de arrombamento, os cadeados estavam abertos. Ate hoje a investigação não deu em nada. A três semanas vazou a informação de que a coordenação de segurança armazenava pistolas automáticas, bandidos tentaram roubá-las e num confronto um vigilante foi morto. Será mesmo que estas iniciativas vão interromper esta cavalgada de violência? Duvido muito. Quanto mais armadas e cercadas as cidades, mais violentas elas ficam. Será que é preciso muito esforço para enxergarmos que estas ações são tapadas no sentido estrito da palavra?

“Armar pra proteger é tão estúpido quanto guerrear pela paz”

Na manhã de quarta feira, dia 27/05, entre 4:30 e 5:00 um amigo e eu fomos violentamente agredidos por seguranças terceirizados da UFMT. Havíamos saído, o Miguel, a Eliete e eu, de um bar localizado no bairro Boa Esperança. Descemos a Avenida Fernando Correa em direção ao Shopping Três Américas. Sentamos-nos na entrada da pista de caminhada, a fim de esperar até o horário dos ônibus começarem a circular. Ficamos ali durante uns quinze minutos. Foi quando cinco homens vestindo uniformes da empresa de segurança que presta serviço a UFMT chegaram gritando: “mãos na cabeça”. Eliete e eu que estávamos sentados na mureta, nos levantamos de imediato. O Miguel estava deitado no chão e antes que conseguisse ficar de pé foi chutado por um dos seguranças, o único com uniforme todo preto, muito similar ao da Policia Militar. Eliete e eu pedimos ao moço que não o agredisse, que não era necessário, porque, como se diz, estávamos colaborando. Neste momento ele me golpeou no pescoço com a mão aberta o que me fez ir pra trás. Perguntei ao moço porque ele estava nos batendo, foi quando ele me deu um soco na parte esquerda do rosto. Neste momento, quando percebemos que eles não iriam parar, não importando o que fizéssemos, pois ele, o segurança de preto que depois soubemos que se chama Alexandre, parecia transtornado. Nos retiramos sob os gritos de “vaza vagabundo”.

Saí puxando o Miguel que gritava indignado enquanto a Eliete ficou perto do vigilante impedindo, a base de conversa, que os seguranças nos seguissem batendo. Quando estávamos a certa altura, (porque um homem tem que revidar nem que seja com gritos de indignação, gritávamos), o referido segurança pegou a arma e atirou em nossa direção. Saímos correndo e a Eliete veio em seguida ao nosso encontro. Chegamos a Avenida Fernando Correa e havia um carro da Policia Militar parado nas imediações com dois policiais. Pedimos ajuda aos mesmos que de imediato se recusaram nos aconselhando a “deixar quieto”. Um pouco atordoado ainda, notei que os meus óculos, minha boina e o chapéu do Miguel haviam caído no local. Resolvemos voltar para pegar. Os seguranças vinham em nossa direção novamente, começamos a gritar e perguntávamos sob qual justificativa eles nos haviam agredido. Até que eles disseram que estávamos presos por desacato, no momento em aquela viatura de policia, a mesma que já havia nos recusado ajuda, se aproximou, os policiais mais uma vez, coniventes com a situação, nos mandaram ir embora. Nos levantamos, a viatura se retirou. Resolvemos nos dirigir para dentro da UFMT para pegar o ônibus, os seguranças nos impediram, enquanto um falava comigo, sempre em tom de ameaça, um motoqueiro sem uniforme estacionou próximo ao Miguel e a Eliete, desceu da moto, derrubou o Miguel, e começou a chutá-lo. Quando quis ir em direção ao Miguel para tentar fazer o vigilante parar com a agressão, o segurança que estava mais próximo me segurou. Alguns transeuntes passavam pelo local. O motoqueiro subiu na moto e entrou na UFMT. Passaram poucos minutos o primeiro ônibus passou, a Eliete embarcou.

Em nenhum momento os vigilantes pediram que nos identificássemos, apesar de termos nos identificados como estudantes todo tempo. Ficamos, o Miguel e eu e quando os seguranças se dispersaram, por conta do aumento de curiosos no local. Seguimos para reitoria a fim de pedir providências. Falamos com o Vice reitor que disse lamentar profundamente, nos aconselhou a procurar a policia e protocolar um processo relatando o fato e pedindo providências. Como se não estivéssemos esperando dele algum movimento que nos fizesse acreditar que alguma providencia seria tomada. Fomos ao posto de policia localizado dentro do Campus, enquanto fazíamos o B.O apareceu o senhor Fabricio Carvalho, Pró-reitor da PROCEV, e a senhora Renata Cabrera, coordenadora da CARE. Eles nos ouviram, lamentaram e nos aconselharam a protocolar o processo. Em seguida fomos a Coordenação de Segurança, recebidos pelo coordenador, senhor Rubens Mauro, solicitamos a lista do plantão daquela noite e o relatório de contagem e controle de munições, para anexarmos ao processo. O coordenador simplesmente se recusou a nos ceder o documento. O único documento apresentado foi o relatório do vigilante identificado como Alexandre. Pedi cópia do documento, reticente, o coordenador atendeu ao meu pedido. No relatório o vigilante disse que molestamos duas senhoras que faziam caminhada pelo local as 4:49.

Contesto porque, primeiro, os vigilantes terão que apresentar estas duas senhoras para testemunharem em juízo. Depois, vigilantes da UFMT tem por função proteger o patrimônio, cabendo a Policia Militar a averiguação deste tipo de denúncia. Por último, a polícia que estava no local, se fosse o caso, poderia ter nos detido para averiguar o suposto fato da moléstia. E por fim, nada justifica agressão física. O segurança tem que explicar qual a razão que o levou a disparar contra a gente. Tiro este que caracteriza tentativa de homicídio.

*Este relato está anexado ao processo já encaminhado.

Informe CCC*

*Comitê de Caça aos Coqueitéis

festival da canção

por Silvana Córdova | enviado para a lista do Fórum Permanente de Cultura

Oficina de Jornalismo Cultural - Teia 2007

Oficina de Jornalismo Cultural - Teia 2007

As páginas de cultura dos jornais, de circulação local, regional ou nacional, trazem na grande maioria das vezes, matérias, reportagens ou artigos voltados para uma cultura que segrega parcela da população. Ora, se um faminto não tem acesso à comida, quiçá ao teatro, ao cinema, aos grandes eventos! Se não tem acesso ao “bê-a-bá”, quiçá às obras euclidianas, machadianas ou quaisquer outras obras de grande vulto! Cultura para nós, chamados “letrados”, pode ser tudo isso citado acima. E, nos deliciamos com tais objetos.

Porém, cultura também é saber “juntar as letrinhas”. Soletrar. Contar até dez. Pintar com giz-de-cera. Porque os jornais não separam um pequeno espaço, na seção de cultura, para tentar estimular essa cultura primária? Essa resposta é fácil: pobre não compra jornal. O espaço do jornal é caro. Ou qualquer outra desculpa que atinja o vil metal. Pobre não compra jornal, mas o abastado compra. E, estimulando esse abastado a fazer algo pela cultura primária, pode surtir algum efeito, mesmo que pequeno.

Onde está o caráter social do jornalismo? Ficou nos primórdios? O espaço é caro? Não precisa abdicar. Conquiste parceiros nessa idéia! As empresas têm seus projetos sociais e o espaço do jornal pode ser aproveitado por elas. Até incentivo fiscal existe para facilitar essa troca. O que não é admissível é a desfaçatez, o mascaramento, o apartheid cultural que é promovido pelos impressos diários, semanais ou mensais. Os espaços destinados à cultura tornaram-se uma grande agenda, onde até se paga para que matérias sejam publicadas. A revisão desse papel do jornalismo cultural deveria ocorrer de imediato, para que os meios de comunicação possam ajudar tirar o atraso que se encontra a educação brasileira.