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Posts Tagged ‘segurança’

por João Alves Batista dos Santos

O que se fala por aí é o seguinte: “Ah, aqueles meninos estavam bêbados, estavam molestando velhinhas”. Havíamos saído de um bar no Boa esperança e estávamos naquele local aguardando, próximo ao ponto, o ônibus. Supondo que as imediações da universidade era um lugar seguro para ficar. Havíamos bebido e estávamos na rua de madrugada. Até onde me consta nenhuma destas coisas caracterizam crime. E nenhuma destas coisas caracterizam nenhuma novidade. Salvo raras exceções , acredito que maioria das pessoas que conheço já fizeram isso. Este tipo de abordagem tira de foco o que nos recusamos a ver. Nossa sociedade está imersa na violência e o discurso mesmo da violência nos levam a aceitar instrumentos que geram mais e mais violência. O que está em questão é um pensamento elitista e condominista que insiste em negar que a universidade é uma instituição publica e que os direitos de ir, vir e viver estão sendo violados, porque dondocas entupidas de remédio, estão mais preocupadas em proteger os aparelhos de som dos seus carros e a maquiagem de suas bolsas. A universidade é um espaço cada vez mais tenso, claro que pra quem enxerga, pra quem tem cor de suspeito, pra quem se veste como vagabundo. Enquanto justificamos nossa truculência ignorante com discursos pacificadores, o mal social nos devora de dentro e por dentro.

A reitora desta universidade é EDUCADORA e a representante legitima de um modelo educacional que ainda usa a palmatória e o autoritarismo. Nesta universidade está em curso um projeto que pretende instalar catracas eletrônicas nas entradas e nos blocos, a colocação de mais câmeras, o aumento do numero de seguranças armados. Para que tantos equipamentos se já sabemos para onde eles estão apontados? Hoje pela manhã vi dois suspeitos sendo abordados pela policia, próximo ao restaurante universitário. As características dos suspeitos? Negros. Se dentro de uma instituição de ensino superior não conseguimos discutir os valores exercidos pelos instrumentos de segurança, não conseguiremos discutir isso em nenhuma parte e casos desse tipo ainda serão justificados com discursos cretinos baseados numa moral de senhoras frustradas.

Em 2007 furtaram a ilha de edição do laboratório do departamento de comunicação. Não havia nenhum sinal de arrombamento, os cadeados estavam abertos. Ate hoje a investigação não deu em nada. A três semanas vazou a informação de que a coordenação de segurança armazenava pistolas automáticas, bandidos tentaram roubá-las e num confronto um vigilante foi morto. Será mesmo que estas iniciativas vão interromper esta cavalgada de violência? Duvido muito. Quanto mais armadas e cercadas as cidades, mais violentas elas ficam. Será que é preciso muito esforço para enxergarmos que estas ações são tapadas no sentido estrito da palavra?

“Armar pra proteger é tão estúpido quanto guerrear pela paz”

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Na manhã de quarta feira, dia 27/05, entre 4:30 e 5:00 um amigo e eu fomos violentamente agredidos por seguranças terceirizados da UFMT. Havíamos saído, o Miguel, a Eliete e eu, de um bar localizado no bairro Boa Esperança. Descemos a Avenida Fernando Correa em direção ao Shopping Três Américas. Sentamos-nos na entrada da pista de caminhada, a fim de esperar até o horário dos ônibus começarem a circular. Ficamos ali durante uns quinze minutos. Foi quando cinco homens vestindo uniformes da empresa de segurança que presta serviço a UFMT chegaram gritando: “mãos na cabeça”. Eliete e eu que estávamos sentados na mureta, nos levantamos de imediato. O Miguel estava deitado no chão e antes que conseguisse ficar de pé foi chutado por um dos seguranças, o único com uniforme todo preto, muito similar ao da Policia Militar. Eliete e eu pedimos ao moço que não o agredisse, que não era necessário, porque, como se diz, estávamos colaborando. Neste momento ele me golpeou no pescoço com a mão aberta o que me fez ir pra trás. Perguntei ao moço porque ele estava nos batendo, foi quando ele me deu um soco na parte esquerda do rosto. Neste momento, quando percebemos que eles não iriam parar, não importando o que fizéssemos, pois ele, o segurança de preto que depois soubemos que se chama Alexandre, parecia transtornado. Nos retiramos sob os gritos de “vaza vagabundo”.

Saí puxando o Miguel que gritava indignado enquanto a Eliete ficou perto do vigilante impedindo, a base de conversa, que os seguranças nos seguissem batendo. Quando estávamos a certa altura, (porque um homem tem que revidar nem que seja com gritos de indignação, gritávamos), o referido segurança pegou a arma e atirou em nossa direção. Saímos correndo e a Eliete veio em seguida ao nosso encontro. Chegamos a Avenida Fernando Correa e havia um carro da Policia Militar parado nas imediações com dois policiais. Pedimos ajuda aos mesmos que de imediato se recusaram nos aconselhando a “deixar quieto”. Um pouco atordoado ainda, notei que os meus óculos, minha boina e o chapéu do Miguel haviam caído no local. Resolvemos voltar para pegar. Os seguranças vinham em nossa direção novamente, começamos a gritar e perguntávamos sob qual justificativa eles nos haviam agredido. Até que eles disseram que estávamos presos por desacato, no momento em aquela viatura de policia, a mesma que já havia nos recusado ajuda, se aproximou, os policiais mais uma vez, coniventes com a situação, nos mandaram ir embora. Nos levantamos, a viatura se retirou. Resolvemos nos dirigir para dentro da UFMT para pegar o ônibus, os seguranças nos impediram, enquanto um falava comigo, sempre em tom de ameaça, um motoqueiro sem uniforme estacionou próximo ao Miguel e a Eliete, desceu da moto, derrubou o Miguel, e começou a chutá-lo. Quando quis ir em direção ao Miguel para tentar fazer o vigilante parar com a agressão, o segurança que estava mais próximo me segurou. Alguns transeuntes passavam pelo local. O motoqueiro subiu na moto e entrou na UFMT. Passaram poucos minutos o primeiro ônibus passou, a Eliete embarcou.

Em nenhum momento os vigilantes pediram que nos identificássemos, apesar de termos nos identificados como estudantes todo tempo. Ficamos, o Miguel e eu e quando os seguranças se dispersaram, por conta do aumento de curiosos no local. Seguimos para reitoria a fim de pedir providências. Falamos com o Vice reitor que disse lamentar profundamente, nos aconselhou a procurar a policia e protocolar um processo relatando o fato e pedindo providências. Como se não estivéssemos esperando dele algum movimento que nos fizesse acreditar que alguma providencia seria tomada. Fomos ao posto de policia localizado dentro do Campus, enquanto fazíamos o B.O apareceu o senhor Fabricio Carvalho, Pró-reitor da PROCEV, e a senhora Renata Cabrera, coordenadora da CARE. Eles nos ouviram, lamentaram e nos aconselharam a protocolar o processo. Em seguida fomos a Coordenação de Segurança, recebidos pelo coordenador, senhor Rubens Mauro, solicitamos a lista do plantão daquela noite e o relatório de contagem e controle de munições, para anexarmos ao processo. O coordenador simplesmente se recusou a nos ceder o documento. O único documento apresentado foi o relatório do vigilante identificado como Alexandre. Pedi cópia do documento, reticente, o coordenador atendeu ao meu pedido. No relatório o vigilante disse que molestamos duas senhoras que faziam caminhada pelo local as 4:49.

Contesto porque, primeiro, os vigilantes terão que apresentar estas duas senhoras para testemunharem em juízo. Depois, vigilantes da UFMT tem por função proteger o patrimônio, cabendo a Policia Militar a averiguação deste tipo de denúncia. Por último, a polícia que estava no local, se fosse o caso, poderia ter nos detido para averiguar o suposto fato da moléstia. E por fim, nada justifica agressão física. O segurança tem que explicar qual a razão que o levou a disparar contra a gente. Tiro este que caracteriza tentativa de homicídio.

*Este relato está anexado ao processo já encaminhado.

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