Uma revista que se pretende ser experimental. Não sei por quê, mas a palavra experimental me sugere novidade, ou pelo menos uma ousadia capaz de produzir/criar uma novidade, o novo. Novo? Primeira dificuldade: decidir por um formato maleável. Forma pressupõe estrutura e estrutura me lembra aquelas barras de ferro que se encaixam para formar arquibancadas. Maleabilidade é uma coisa que me lembra o mole. Uma arquibancada mole desaba. Conclusão para a primeira dificuldade: não queremos ser uma revista arquibancada. Mas estamos longe de nos considerar um apeíron pleno. Apeíron é a substância metafísica, inventada por um filósofo grego, sem forma, cor ou cheiro, origem de todas as formas, cores e cheiros. Somos pessoas, por isso constituídos por formas, cores, cheiros, crenças, historicidades, desejos, fantasias, sonhos… quanta coisa é necessária para constituir um Homem e/ou uma Mulher? Somos jovens e para os velhos isso significa futuro. Futuro é uma coisa que a gente espera, logo jovem é uma pessoa em fase de espera. Por alguma razão, futuro também significa uma coisa que não alcançou a perfeição. Querer perfeição é uma coisa de velho. Velhice é uma fase humana dos que já chegaram, se aposentaram e agora esperam nas praças que o jovem/futuro invente o novo. Novo? Questões como estas estão em foco na Grifo.
Editorial Grifo #1.
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